Os papais espanhóis têm 15 dias de licença-paternidade. Os dois primeiros dias, que devem coincidir com o dia do nascimento do bebê e o dia seguinte ao parto, sao obrigatórios que sejam desfrutados nesses exatos dias. Os 13 seguintes podem ser desfrutados quando o pai desejar, dentro de um limite de nove meses desde o nascimento. Em caso de adoçao, o direito permanece.
O governo havia aprovado uma lei que ampliava a licença-paternidade para um mês e começaria a valer em janeiro de 2011. Infelizmente, assim como o cheque-bebê, a lei acabou sendo extinguida antes mesmo de ser implantada devido a crise econômica.
É também possível que a mae ceda parte de sua licença-maternidade (que sao de 4 meses) ao pai. Se a família for considerada “família numerosa” (pai, mae, 3 filhos ou mais), entao o direito passa a ser de 20 dias naturais. E, no caso de nascer gêmeos (ou de adota-los) a licença se amplia para dois dias mais por cada filho a partir do segundo.
Isso está muito bem, e a Espanha é um dos países europeus que facilitam mais dias aos pais para desfrutar de seus filhos, apesar que nao chegamos ainda aos pés dos países escandinavos, como Suécia, onde a licença é de 10 semanas (e ali a mae tem um ano de licença-maternidade, diga-se de passagem). Espera-se que, com o passar dos anos, e com a melhoria da economia, as licenças aqui aumentem.
Uma vez, li um artigo em uma revista feminina que criticava a licença paternidade, dizendo que os homens nao precisam de mais dias e sim que deveria haver um equilíbrio entre o homem e a mulher, alegando que isso sim era igualdade, e que muitos homens nao fazem nada durante a licença, deixando todo o trabalho das primeiras semanas com o bebê nas costas da mae. Eu nao concordo com isso, acho que cada caso é um caso, e se existem maridos (ou companheiros) que nao ajudam as suas mulheres, também há muitos outros que sim ajudam, e que seria excelente ter mais dias para poder dar uma mao a mulher nesse período crítico. Afinal, sao tantos documentos que devem ser providenciados, fora o trabalho de dia-a-dia com o bebê, de dar banho, mamadeira (no caso daqueles que nao estao sendo amamentados pela mae), troca-lo, levar ao pediatra… os primeiros 30 dias da vida de um bebê levam os pais à loucura com a quantidade de coisas novas que devem fazer. Isso sem contar que eles ainda nao conhecem o bebê, o bebê nao os conhece, e essa fase para familiarizar-se pode durar algum tempo.
Nao digo isso apenas baseando-se no meu caso, pois o meu marido está louco para participar com as tarefas do bebê, posso dizer que tirei a sorte grande porque ele é muito prestativo mesmo, principalmente agora que vai ser pai. Ele nao tem nada daquele modelo antigo de pai, que ficava à margem, deixando todas as tarefas para a mae realizar enquanto ele apenas se preocupava em trazer dinheiro a casa. Mas eu vejo que esse modelo está caindo, a maioria dos pais jovens que conheço (amigos e maridos de amigas) sao cada vez mais participativos, mais atuantes, mais carinhosos com os bebês e interessados em saber tudo sobre esse mundo. No meu curso de preparaçao ao parto havia muitos maridos acompanhando as suas mulheres grávidas e faziam perguntas à matrona, nao ficavam calados nao. Perguntavam desde dúvidas relacionadas com direitos do pai até sobre cuidados com o recém nascido ou mesmo dos procedimentos de parto. O homem está mudando, cada vez ajuda mais a mulher, cada vez deseja mais ser um pai atuante. Nas revistas para grávidas há seçoes especiais para eles. E basta dar uma volta pelo bairro para ver quantos papais estao passeando com carrinhos de bebês ou vigiando crianças nos parquinhos.
A propaganda do Mini Coutryman que está passando atualmente na TV espanhola é uma das minhas favoritas. Um grupo de amigos, provavelmente indo a algum “programa de homens” (um jogo de futebol, talvez), e um deles leva seu filhinho, que, de repente, faz xixi no carro. É hilário e ao mesmo tempo, muito doce. Para mim, esse comercial representa bem como é o novo homem. Cada dia que passa, eles se envolvem mais com os filhos. E eu acho que devemos deixa-los exercer esse papel, para o bem deles e de nossos filhos. E espero que o governo da Espanha, do Brasil e de todos os países do mundo, levem esse assunto mais a sério e percebam que é importante criar leis que ajudem os pais e as maes para trazer novos cidadaos ao mundo.

