
Fizemos nosso cruzeiro de lua-de-mel neste barco: o Costa Fortuna
OK, este post vai com um atraso incrível de mais de dois anos, mas como dizem os meus amigos, “antes tarde do que mais tarde”! Entao aí vamos, vou contar como foi a minha experiência quando fiz um cruzeiro de lua-de-mel, em outubro de 2008, com a empresa Viagens Costa, aqui em Madrid.
Bem, para começar que eu nao queria fazer um cruzeiro! Foi o meu marido que se empenhou em me convencer. Eu sim fazia questao de passar a lua-de-mel em Veneza, porque era um sonho de menina que eu tinha (pode ser bobo, piegas, clichê, mas era um sonho). Ele, queria porque queria fazer um cruzeiro. Eu dizia que nao, de jeito nenhum, que ele era louco, que iria sair os olhos da cara… fora que eu nao entraria num navio nem que me pagassem!
Explico: quando tinha 15 anos, quase morri afogada na piscina da escola. Desde entao, levo esse trauma comigo e nao consegui aprender a nadar. Sou dessas pessoas que, na praia, nao passa do mar pela altura dos joelhos (se passo da altura da cintura começo a ter taquicardia), já tive ataque de pânico numa praia porque um ex namorado insistia que eu tinha que enfrentar o medo e me largou sozinha no meio do mar segurando a cordinha com bóias que separa a zona permitida da zona proibida… assim que, água comigo, é um problema sério.
Entao, logicamente, eu sentia pavor de entrar num navio e ficava pensando que poderia acontecer o mesmo que houve com o Titanic. Compreendi entao as pessoas que tem fobia a aviao, coisa que felizmente jamais tive, mas fiquei mesmo com muito medo. Mas a base de muita conversa com o meu marido, muita pesquisa, e a base de conversar com pessoas que tinham feito cruzeiros, acabei “dando uma chance”. Afinal, quando uma pessoa se casa, precisa aprender a ceder, nao é mesmo?
Coloquei como condiçao que o cruzeiro tinha que passar por Veneza e o meu marido aceitou numa boa. Felizmente, ele também tinha vontade de conhecer a cidade dos canais. Eu ainda tinha um pouco de ranço com o cruzeiro, porque ficava pensando que deveria ser um saco ficar uma semana dentro de um barco, só saindo de vez em quando para conhecer as cidades das paradas, naquele velho esquema de excursao onde tudo é feito muito rapidamente e você acaba nao vendo nada. Eu sempre fui de viajar sozinha, de bolar o meu roteiro a minha maneira, com um guia na mao e alguns euros no bolso, nao me importando com hotéis muquifo ou comer só Mc Donald´s, contanto que pudesse ver todos os lugares que gostaria de ver, pelo tempo que quisesse ver. Meu marido também é partidário desse tipo de turismo (tanto que ele fez um “mochilao” com os amigos antes de me conhecer por vários países europeus, só de Interrail), mas ele disse que agora queria fazer algo diferente, algo mais tranquilo, que permitisse descansar mais e nao se preocupar em pegar trens, ônibus, carros de aluguel… ele queria algo mais em plano luxo, mesmo.
Ficamos em dúvida entre a MSC e a Costa, e no fim acabamos decidindo pela segunda porque demoramos muito para dar resposta e, quando fomos à agência, era tarde demais e nao havia mais camarotes livres com a MSC. Assim que fomos de Costa, pegamos um camarote mais ou menos na altura da metade do barco, com direito a sacada. Aproveitamos uma promoçao para noivos que faziam na época e nao ficou tao caro. O roteiro: Veneza, Bari, Katakolon, Mykonos, Santorini, Rhodes, Dubrovnik e Veneza novamente, com um dia de navegaçao. O problema era que nao daria tempo para a gente curtir Veneza direito, porque o nosso vôo chegava ali quase que na hora de zarpar o barco, entao acabamos pagando também duas noites de hotel em Veneza para aproveitar o final da viagem. Escolhemos um hotel 3 estrelas maravilhoso, com um atendimento perfeito, pertinho da Praça Sao Marcos. Mas sobre ele eu falo depois…
Muito bem, nos casamos num sábado, o domingo tiramos para descansar e pegamos o vôo Madrid-Veneza às 7h da manha de segunda. Chegando ali, a agência tinha colocado um furgao para nos levar até o porto. Foi fácil encontrar o local onde estava o Costa Fortuna, nosso “barquinho”. O atendimento de check-in foi rápido e sem problemas. As malas sao deixadas com o pessoal da Costa, que trata de coloca-las no camarote do passageiro. Ou seja, primeira vantagem em relaçao ao aviao: você nao precisa ficar esperando as suas malas aparecerem na esteira, porque elas sao deixadas na porta do seu camarote. Confesso que a caipira aqui ficou besta e pensou que ia dar xabu, mas foi perfeito, quando chegamos ao nosso camarote nossas duas malas estavam nos esperando perfeitas.
O camarote tinha uma decoraçao meio anos 70, mas era espaçoso. Tinha um banheiro pequeno, mas que dava muito bem para duas pessoas. Armários, muitas gavetas, uma TV que mostrava programaçao normal da Itália e também alguns canais próprios da Costa, onde você podia se informar, por exemplo, sobre quantos euros já levava gastos com os passeios e outras despesas feitas no barco, a programaçao do dia seguinte, o mapa em que mostrava onde estava passando o barco naquele momento… o mais legal, com certeza, era a sacada, onde pudemos fazer umas fotos muito bacanas, como estas:


Quando você chega no barco, após arrumar as suas coisas, deve registrar o seu cartao de crédito para pagar as despesas dentro do barco. Quem nao tem cartao de crédito deve fazer um pagamento de um valor x (nao me lembro agora de quanto era, sinto muito), e de ali vao sacando todas as suas despesas. O pessoal da Costa nos entregou um cartao magnético que servia para pagar todas as despesas e também servia como controle na hora que você deixava o barco nos passeios, uma espécie de passaportezinho, ou crachá, se preferir. Servia para te identificar como passageiro do barco e você devia sempre leva-lo em cima durante todo o cruzeiro.
Também te dao um roteiro com todos os passeios que sao possíveis de realizar pelas cidades onde o barco faz as paradas. Nós escolhemos os nossos logo no primeiro dia para garantir lugar, pois tínhamos medo de deixar para depois e aí nos avisarem que estava lotado. Os passeios saem bem caros, eu devo dizer, mas valem a pena. Nós nao nos arrependemos, apesar que nao foram perfeitos. Houve de tudo, na verdade. Em Katakolon, tivemos um guia maravilhoso que conseguiu nos contar a história dos primeiros Jogos Olímpicos sem ser chato, e ainda nos deu tempo para fazer fotos e ficar à vontade pelo sítio arqueológico. Já em Dubrovnik, a excursao foi péssima, a guia era chatíssima, parecia que tinha decorado um livro e só nos levou a igrejas que, sinceramente, nao vi muita graça. O bom é que o dia de Dubrovnik era um dos mais largos, isto é, o passeio durou o dia todo praticamente, e depois da excursao chata eu e o Ernesto demos uma volta por nossa conta e subimos a muralha, que é maravilhosa.
Mykonos, Santorini e Rhodes eu já conhecia e nao me surpreendi muito, a nao ser com Santorini, que parece ter cada dia mais turistas e estar cada vez mais insuportável. Em Mykonos passamos uma tarde, vimos uma igrejinha ortodoxa, e demos uma volta pela ilha, mas infelizmente nao visitamos as praias, que sao o melhor da ilha com certeza. Ao final, tivemos um jantar tipicamente grego para todos os casais que estavam de lua-de-mel e pudemos nos conhecer. Havia muitos casais espanhóis no nosso barco.
Rhodes também teve excursao de dia inteiro e foi melhor aproveitado que Dubrovnik, fomos ao Castelo de los Grao-Mestres, demos uma volta pela cidade medieval, também estivemos em Lindos e pudemos dar um mergulho rápido na praia de Faliraki.
A organizaçao da Costa, em minha opiniao, foi perfeita. Nos dias dos passeios, tínhamos que nos reunir no teatro do barco por volta das 8h mais ou menos, e de ali formavam os grupos. Havia funcionários que falavam italiano, francês, inglês, espanhol, português. O atendimento foi impecável. Ás vezes a gente atracava em um porto, mas também houve vezes que nao era possível atracar pelo tamanho do navio, entao parávamos um pouco antes e tínhamos que tomar um barco ou lancha para ir até o porto. Confesso que senti um pouco de medo no começo, mas passou logo.

Vista de uma das piscinas do Costa Fortuna
E aquela visao preconceituosa que eu tinha de que a vida dentro do barco deveria ser “um saco” era o mais longe da realidade! Havia saunas, jacuzzi, pista de cooper, quadras de esportes… para quem vai com crianças há atividades especialmente para elas, e também para os velhinhos, como aulas de aeróbica, dança de salao… à noite jantávamos em um dos restaurantes do barco e depois podíamos ir a algum bar, cantar em um karaokê, jogar no cassino… enfim, há muitas opçoes para se distrair. Também havia atividades organizadas pelo pessoal responsável por entretenimento, como concursos entre passageiros e tal. Eu só achei muito voltado a pessoas mais velhas, e nao me senti identificada com nenhuma atividade, acho que eles deveriam pensar mais no pessoal mais jovem. Inclusive deixei isso anotado na crítica que pedem para você preencher no final da viagem.

Pessoal fazendo aquaerobic
O melhor era a comida, hehehehe… sou uma gulosa de mao cheia! Havia vários buffet self-service, alguns funcionavam 24 horas, e eu engordei bastante… também aproveitamos o spa do navio e aproveitamos o dia de navegaçao para uma sessao de massagem.
A pergunta final é: dá medo ou nao? Resposta: nao. Eu esqueci completamente do meu medo ao mar quando comecei a passear dentro do barco. Aquilo é enorme, parece uma cidade, e você se sente muito seguro ali dentro. Em nenhum momento tive náuseas, nao passei mal em nenhum dia, e olha que aconteceu de, uma noite, o barco passar por uma zona com fortes ventos e dar umas entortadas que nos obrigavam a se apoiar na parede ou no corrimao de segurança, mas nada que a gente nao desse risada e achasse engraçado.

Foto que o Ernesto fez para comparar o tamanho do navio com o de uma pessoa. Essa "formiguinha" aí embaixo à direita sou eu, que tenho 1,68m de altura. Assim já dá para imaginar como o bicho é grande!
Acho que o cruzeiro vale a pena para quem está a fim de um passeio sem se preocupar com traslados ou ficar procurando alojamento. A melhor coisa do barco é que ele te leva a todas as partes, te espera, e você ainda dorme nele. É muito cômodo. Deu para a gente descansar da correria dos últimos dias pré-casamento (que sao super estressantes, só quem já se casou sabe). Nos sentimos um pouco como “senhores” pelo atendimento dos funcionários do barco, que sao muito educados e eficientes. Para cada camarote há uma responsável de limpeza encarregada, e se você tiver algum problema de manutençao (chuveiro que nao funciona, falta de Coca-Cola no frigobar etc), é só falar com ela, ou deixar um recado escrito, que rapidamente é resolvido. Fora os pequenos detalhes que fazem a diferença, como um dia que chegamos de mais uma excursao cansativa, e encontramos a nossa cama arrumada assim:

Olha que graça a colcha dobrada em forma de coraçao, junto com o jornalzinho do dia que informava a programaçao do dia seguinte, cardápio do café da manha se você preferia pedir no quarto, e o pijama de Ernesto devidamente dobrado
Com certeza eu faria outro cruzeiro, mas gostaria de provar com outra empresa. Nao por nada, só por conhecer mesmo. Ernesto e eu pensamos em fazer o roteiro dos fiordos noruegueses, quem sabe um dia, ou algum que passe pela Turquia… agora que a família vai crescer, acho que será interessante, pois viajar com um bebê sempre é mais difícil do que viajar só a dois, e o cruzeiro é uma boa opçao para casais com filhos. Mas nao pense que mudamos tanto – ainda queremos viajar novamente de mochilao, fazendo nossos roteiros, parando em vários hotéis, como nos nossos velhos tempos de “20 e poucos” anos. Isso sim, adaptando nossa realidade para os “30 e muitos” que temos agora, hehehehe. Nao sei se aguentaríamos tantos dias andando a base de Big Mac (a idade chega para todo mundo), mas temos planos de alugar um carro ou uma autocaravana e ir poraí. Só espero que essa crise econômica acabe logo para que eu possa arrumar um emprego e voltar aos meus tempos de viajante, agora com mais alguém a tiracolo!